Domingo, Março 07, 2004

Menti. Meu novo endereço: Fronhas Trocadas.

Quarta-feira, Fevereiro 18, 2004

Este é o último post deste blog. Se páro de escrever, não é porque simplesmente não quero mais. Como já havia observado aqui, não escrever não é uma opção para mim. E é justamente por isso que não posso mais continuar com o Strawberry. Blogar, pelo menos na minha concepção, assim como navegar na internet, é um ato íntimo que eu estabeleço com meu blog. E, sendo assim, ele demanda minha atenção e como temos esse tipo de relação, preciso que a coisa se dê intensamente, com tesão, diria até. E para escrever com tesão, preciso que o insight floresça e seja expresso quase que simultaneamente. Quantas vezes não tive insights em momentos impossíveis de serem expressos e ao tentar reproduzí-los mais tarde toda sua significação já se esvaíra? Os insights não são apreensíveis como uma folha de papel ou um pedaço de pão. Os insights são como a água que tentamos reter na palma da mão: têm a duração de um lampejo. Daí, devido a essa minha distância involuntária do ciberespaço, que é afinal onde o blog fica, ser impossível continuar com as atividades de blogagem.

Despeço-me dos meus leitores com pesar e agradeço a todos pelos comentários aqui deixados.

Para finalizar, uma ode de louvor aos gnus:
Os gnus têm uma vida difícil
Milhões a migrar todo ano
A cortar as savanas e água a buscar
A fugir dos leões e crocodilos
A fugir da seca e do fogo
No Seringueti ou no Kalahari
Gnus, vocês são o máximo!

E eu sou um gênio (genial na minha mediocridade)!

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2004

Música é bom. Música faz bem. Eu gosto de música.

Terça-feira, Fevereiro 10, 2004

A mediocridade me deixa estarrecida, especialmente quando eu me deparo com a minha.
Decretado o início de um período de reclusão. Estimativa de retorno: dois anos.

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Queria morar numa caverna, me enfiar lá, sumir, desaparecer, se tivesse que ir pra um lugar com pessoas, que pelo menos eu não entendesse o idioma delas, que eu não ouvisse nenhum som, nenhum ruido, talvez o farfalhar das folhas, um lugar onde não houvesse maneira de ser maltratada, tô cansada de ser maltratada, tô cansada de enxergar demais, não quero mais ver, talvez ver a lua, e de dia sentir o sol na pele, porque gosto do sol, não gosto de frio, queria não ter que me preocupar com o que comer, queria dar um tiro de bazuca em todo mundo que me amolasse a paciência, eu sou muito boazinha, queria ser bem má, arrebentar com tudo, explodir tudo, virar terrorista chechena, matar o ariel sharon, enfiar uma granada na boca do bush e outra na boca do toni blair, costurar a boca do lula, esquecer que tem tudo isso ainda pra importunar nossas vidas, também queria que os bancos explodissem, assim como todas as pessoas de RH das empresas e todos os jornalistas, a gracie estava certa no final do dogville, é possível sim melhorar este mundo, queria poder fazer o mesmo que ela, mas abriria mão de tudo isso, se eu pudesse, de fato, desaparecer.
TUDO ME DEPRIME
Meu trabalho me deprime, minha casa me deprime, as pessoas me deprimem, a Mooca me deprime, o metrô me deprime, o Brás me deprime, esta cidade me deprime, este país me deprime, as baladas me deprimem, a televisão me deprime, minha existência me deprime, as drogas me deprimem, os animais me deprimem, minha falta de dinheiro me deprime, a miséria ao meu redor me deprime, comer me deprime, beber me deprime, sair de casa me deprime, ficar em casa me deprime, voltar pra casa me deprime... Se tudo me deprime, então porque não acabar com isso? Porque eu gosto de dormir, porque os suicidas me deprimem, porque gosto de olhar pro céu e porque, por mais estranho que isso possa parecer, gosto de ler.

Sábado, Fevereiro 07, 2004

Semana fílmica agitada. Após Mestre dos Mares, assisti A Colecionadora, filme de 1967, do Éric Rohmer, e Encontros e Desencontros, da Sophia Coppola. Todos muito bons e todos recomendáveis. Quem gosta de Truffaut com certeza vai gostar do Rohmer. Quando ao filme da Coppola, chamo a atenção para o final melancólico, que adorei.

Terça-feira, Fevereiro 03, 2004

Gostaria muito de assistir a isto:

06 MAR [sábado 16h30]
Roberto Minczuk, regente
Irène Theorin, soprano
Luisa Francesconi, mezzo soprano
Stephen Gould, tenor
Geert Smits, baixo
Coro da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Naomi Munakata, regente
Coral Paulistano
Mara Campos, regente

Ludwig van Beethoven
Sinfonia nº 9 em ré menor, Op.125 - Coral
Bacana. Muito bacana. Não tem adjetivo melhor para Mestre dos Mares. Dá de mil a zero no último Senhor dos Anéis. Muito bem filmado. Cenas ótimas. Aventura das boas. E aquelas suites para violoncelo de Bach são um show à parte. Aliás, como são lindas essas suites para violoncelo. Bach é AWESOME! Pena que eu sou medíocre demais pra expressar em palavras o quanto Bach é AWESOME! Por isso, OUÇAM BACH! Não tem como se arrepender.
Estupro. Sinto como se meus sentimentos estivessem sendo estuprados...

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A única coisa que me deixa feliz é a internet. Eu vivo na e pra internet. Pelo menos vivia. Costumava ficar online cerca de 60, 70, às vezes 80 % do dia. Hoje, por vários motivos, não consigo ficar nem 5%.

Segunda-feira, Fevereiro 02, 2004

Este blog está quase a deixar de existir. Uma linha muito tênue me prende a ele. Não que eu vá deixar de escrever. Isso não é possível. Não escrever não é uma opção pra mim. O único motivo que ainda o mantém no ar chama-se Deleuze. Tenho andado sob efeito de seus escritos e sinto que ainda devo blogar algo.
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Muitas coisas na cabeça para escrever. Muitas coisas. Tantas que não consigo dar conta de organizá-las. Nem sei se quero. Coisas latentes, latejantes, pulsantes. Causam dor. Eu sei que virão à tona. Elas sempre vem. A um certo custo. Geralmente a um alto custo. Sempre.

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